Toxicidade do LoL é responsabilidade da Riot e da comunidade, e Hai acredita que “o problema precisa ser resolvido dos dois lados”

O ex-jogador profissional comenta sua restrição, a suspensão no Programa de Parceria e o estado atual das ranqueadas.

Foto via Riot Games

Em uma transmissão de 5 de junho na Twitch, o ex-jogador profissional Hai Lam estava jogando ranqueadas solo quando encontrou um problema familiar demais para qualquer um que já tenha jogado League of Legends. Depois de cometer alguns erros no começo do jogo, dois jogadores de seu time decidiram ficar ausentes. O time de Hai não tinha chances. E ele não ficou feliz.

Ele disse a eles que tinham “atitude de merda” e que um deles estava sendo um jogador “terrível”.

Algumas partidas depois, ele recebeu uma restrição no bate-papo por 10 jogos.

Muitos acreditam que a comunidade do LoL está regredindo e que a cultura tóxica e danosa ao jogo está se espalhando rapidamente. Pesquisar “tóxico” no subreddit do jogo revela inúmeras reclamações de jogadores exaustos sobre um tópico que também é discutido por vários profissionais e streamers. E a falta de atitude da Riot e seu sistema de denúncias insuficiente não fazem muito para punir quem apresenta esse comportamento.

Para resolver um problema tão delicado e importante, “o problema precisa ser resolvido dos dois lados”, disse Hai por email ao Dot Esports.

A restrição de bate-papo de Hai causou a ira da comunidade. Fãs, profissionais e criadores de conteúdo tiveram dificuldades para entender a punição. Hai é considerado uma das figuras mais corretas da cena, e até fundou a organização de esports Radiance com base em uma cultura respeitosa, amigável e positiva. Mas demonstrar frustração moderada diante de dois jogadores nocivos foi visto como infringir o código de conduta de League of Legends, resultando em uma punição.

Hai admite que não foi “positivo” na linguagem que usou para se referir aos jogadores ausentes, mas ele acredita que a restrição não seja justa e que uma advertência seria suficiente.

“Se esse fosse um comportamento recorrente meu ou se eu já tivesse sido punido antes, imagino que a restrição fosse mais compreensível”, explicou Hai. “Mas, como primeira ‘infração’ em algo tão pequeno, foi bastante desanimador.”

Apesar de a comunicação da Riot com os criadores de conteúdo “normalmente ser bem boa”, segundo Hai, ele suspeita que o representante do suporte ao jogador que explicou sua restrição estivesse usando “apenas respostas prontas”.

O representante do suporte disse que Hai deveria olhar os registros da conversa em questão mesmo que pudesse “doer” e explicando que poderia ajudá-lo a “aprender” e “crescer”.

A sequência bizarra de eventos acabou escalando quando Hai recebeu uma suspensão de três meses do Programa de Parceria do League of Legends, perdendo benefícios como sorteios para os fãs, convites para eventos e revelações de novidades. A Riot logo reverteu a suspensão, deixando Hai apenas com uma advertência. A empresa também pediu desculpas pela decisão precipitada.

“A suspensão foi severa demais sem nenhuma advertência ou conversa ter acontecido antes disso”, disse Hai. “Se eles criaram um programa dedicado a ajudar os criadores de conteúdo, o mínimo que podem fazer é de fato se esforçar para gerenciar as questões do programa e dos envolvidos.”

Apesar de o problema ter sido resolvido rapidamente, é importante lembrar o catalisador de toda a situação: comportamento negativo no jogo.

A questão da toxicidade sem limites no LoL tem crescido nas últimas temporadas, e jogadores, profissionais e criadores de conteúdo já expressaram suas opiniões sobre o assunto. Voyboy, ex-jogador profissional de League of Legends, abriu a conversa com seu vídeo “O triste estado das ranqueadas solo do LoL”, em 4 de maio, chamando atenção da Riot por sua inércia no combate ao comportamento negativo. O streamer disse que a cena das ranqueadas fica pior a cada temporada no que diz respeito à atitude dos jogadores.

O criador de conteúdo europeu Bizzleberry veio depois e comentou o “triste estado do Programa de Parceria do League of Legends” em 15 de junho, dizendo que parceiros abertamente tóxicos não estavam sendo repreendidos pela Riot, criando um mau exemplo para os jogadores.

Hai concorda que o comportamento dos jogadores piorou ao longo dos anos, mas diz que é “difícil de resolver”.

“A comunidade tem culpa pelo estado das ranqueadas, mesmo que não admita isso”, disse ele. “Sim, a Riot pode influenciar diretamente punindo com mais frequência as pessoas que têm atitudes negativas, ficam ausentes de propósito ou morrem de propósito. Mas não seria um problema se as pessoas não já incentivassem ou relativizassem esse tipo de comportamento.”

Hai espera que a Riot possa “estimular esse movimento” punindo jogadores consistentemente tóxicos e adicionando mais recursos no gerenciamento do sistema de denúncias. O problema “precisa ser resolvido dos dois lados”.

A Riot tomou algumas medidas nesta temporada, definindo objetivos a curto e longo prazo para combater comportamentos que comprometem o jogo em uma publicação de 8 de maio no blog. A desenvolvedora fez com que as denúncias no servidor NA recebessem respostas instantâneas, já permitindo que você visse se alguém que denunciou foi punido por algo que você não denunciou. E um novo recurso está planejado para a Seleção de Campeões na atualização 10.13, permitindo que você silencie e denuncie comportamento negativo antes mesmo de o jogo começar.

Sobre a suspensão de jogadores que morrem ou ficam ausentes de propósito, Andrei “Meddler” van Roon, diretor de jogo da Riot, explicou que pode ser mais difícil do que parece.

“Nós tomamos muito cuidado com isso, historicamente, para não correr o risco de identificar, e portanto punir, alguém que não esteja fazendo isso de propósito”, disse Meddler. “Evitar suspensões injustas também é importante pare garantir uma boa experiência aos jogadores.”

Mas a Riot já prometeu “dedicar mais recursos” a essas questões específicas: morrer de propósito, ficar ausente de propósito e outros tipos de comportamento negativo.

Foto via Riot Games

No futuro, Hai pretende cuidar de sua própria atitude em situações difíceis.

“É importante que eu represente o que a minha organização, Radiance, se propõe a ser”, disse Hai.

Mas essa não é a mesma filosofia que muitos jogadores seguem nas ranqueadas. Se os comportamentos negativos forem punidos da forma apropriada, espera-se que um sistema melhor possa surgir. Um jogador morre de propósito, a Riot o pune e ele “melhora”.

Então Hai, no fim das contas, tem razão. Para que esse cenário idealista funcione, é preciso que as duas partes tomem providências, a Riot e a comunidade.

Artigo publicado originalmente em inglês por Andreas Stavropoulos no Dot Esports no dia 18 de junho.