Primeira jogadora feminina da Overwatch Contenders na América do Norte se afasta após assédio

A nova jogadora flex do Second Wind deixou a equipe após assédio sobre sua legitimidade.

Imagem via Blizzard Entertainment

Uma jogadora da Overwatch Contenders anunciada para uma equipe norte-americana se afastou da equipe depois de ser assediada por sua legitimidade.

A Second Wind, uma equipe de Overwatch da divisão secundária com uma ótima classificação na Contenders, adicionou uma nova jogadora chamada “Ellie” ao elenco no final de dezembro. Recém-chegada à cena competitiva, Ellie foi recebida com teorias conspiratórias sobre sua autenticidade logo após o anúncio, como pessoas supondo que ela era um jogador profissional homem se passando por outra pessoa. Antes de Ellie poder jogar uma única partida na Overwatch Contenders, a Second Wind anunciou sua saída em um tweet ontem.

Dúvidas apontavam para o quão nova era a conta de Ellie, de uma experiência relativamente baixa para ter um nível tão alto,  como motivo de suspeita. Outros achavam que ela estava usando uma conta secundária para sua privacidade; seu nome nunca foi listado no site da Overwatch Contenders por um motivo que talvez seja semelhante. No caso mais extremo das reações, um jogador de nível alto e hoje banido chamado “Haunt” sugeriu que vazassem informações pessoais de Ellie para provar sua identidade, e sua intenção foi compartilhada em capturas de tla publicadas no Twitter por Ellie.

O jogador da Liga Overwatch, Daniel “Dafran” Francesca, do Atlanta Reign, também duvidou publicamente da autenticidade de Ellie durante uma transmissão na Twitch. “O que eu acho que está acontecendo agora é que alguém está jogando com essa conta e Ellie está falando ao lado dele”, Dafran disse depois de encontrar Ellie nas ranqueadas de Overwatch. A jogadora australiana da Overwatch Contenders Thy “Mini” Le disse que esses casos têm sido comuns nas partidas de Overwatch de Ellie. Ela escreveu no Twitter em 2 de janeiro que todas as partidas que joga com Ellie tem jogadores que “xingam pesado e saem da partida ou falam merda sem parar”.

A Second Wind creditou a reação da comunidade pela saída de Ellie da equipe da Overwatch Contenders. “Infelizmente, devido a algumas reações imprevistas, Ellie optou por se afastar da equipe”, um representante da Second Wind escreveu no Twitter. “Esperamos que você continue a apoiá-la em suas iniciativas em Overwatch como nós apoiaremos.” Pouco antes de o anúncio ser publicado na conta da Second Wind, Ellie twittou um simples “desculpe”.

Justin Hughes, proprietário da Second Wind, explicou ainda mais as “reações imprevistas” em uma sequência no Twitter.

“Quando a trouxemos para a equipe, as pessoas agiram como se tivéssemos trazido um símbolo de empoderamento”, Hughes escreveu. “Eu entendo que as pessoas têm boas intenções, mas de um lado, nós tivemos pessoas questionando sua legitimidade, ameaçando, etc. enquanto, por outro lado, tínhamos pessoas agindo como se tivessem encontrado seu Messias”.

Hughes disse ao Dot Esports que a organização está “se abstendo de fazer mais comentários públicos” em respeito aos “desejos dos envolvidos”. Ellie não respondeu ao pedido de comentários do Dot Esports antes da publicação.

Hughes acrescentou que parece que “a comunidade Overwatch não está pronta para ver uma jogadora como apenas uma jogadora”. É uma atitude similar que muitos tomaram quando a primeira (e única) jogadora da Liga Overwatch , Kim “Geguri” Se-yeon, se juntou ao Shanghai Dragons no ano passado. Geguri estava hesitante em aceitar o título; ela é uma competidora feroz que só quer jogar seu jogo. Mas como os esports, e Overwatch , apesar de ser anunciado como um lugar de diversidade, é tão dominado por homens, uma jogadora é automaticamente considerada diferente só por isso. A reação da comunidade à entrada de Ellie no Overwatch semi-profissional diz muito sobre a inclusão de gênero na indústria; apesar de toda a reação, há uma intensa comunidade de mulheres desesperadas para se verem na cena competitiva de Overwatch.

A comunidade sempre pergunta: onde estão as mulheres no esports? No papel, os esports de Overwatch devem ser uma meritocracia. Mas não são, e a situação de Ellie é um lembrete gritante disso. As mulheres no esports tipicamente enfrentam assédio similar por habilidade ou pela falta dela. Isso acontece em todos os níveis, nas ranqueadas ou nos jogos de elite. Na semana passada, a diretora de mídia social do Los Angeles Gladiators, Analynn Dang, uma jogadora Grã-Mestre de Overwatch, twittou sobre sua própria experiência nas ranqueadas. “Eu literalmente falo por voz no início do jogo e alguém começa a gritar que perdemos porque há uma mulher no time”, ela escreveu. “Então eles ficam ausentes e entregam a partida inteira.”

O gerente geral do Houston Outlaws, Matt Rodriguez, ecoou este sentimento, dizendo que uma mulher começou a falar em um jogo recente seu e outros jogadores imediatamente começaram a entregar a partida. “Estou percebendo que a base de jogadores mulheres pode ter um SR significativamente maior se não tiverem que lidar com idiotas entregando suas partidas por elas existirem”, Rodriguez escreveu.

 (Alguns assediando Ellie consideram a falta de comunicação de voz em partidas de Overwatch como uma razão para o ceticismo, apesar de isso ser uma ocorrência comum para as mulheres que jogam jogos e uma das principais razões pelas quais muitas mulheres não usam microfone.)

“Temos visto isso em jogos por anos”, Kate Mitchell, gerente geral da Washington Justice, disse ao Dot Esports. “Uma geração de meninas está crescendo jogando e fazendo jogos e vendo que o sucesso faz de você um pára-raios para o pior que a internet tem a oferecer. É preciso uma bravura tremenda para se expor.

Mitchell disse que é responsabilidade dos jogadores e da equipe atuarem como “líderes morais”. A conduta dos torcedores não pode ser controlada diretamente, eles disseram, mas o apoio da gerência e de outros jogadores pode ajudar a mitigar os danos. “Os jogadores e funcionários devem ser mais ativos ao ir contra o assédio e enviando uma mensagem de que isso não é aceitável em nossa comunidade”, Mitchell disse. “É algo que todos nós podemos fazer melhor.”

As equipes precisam começar a afastar o assédio da comunidade e encontrar ferramentas para proteger seus jogadores, não apenas as mulheres, eles disseram.

“As equipes devem planejar envolver talentos de todos os gêneros em todos os níveis de sua organização e estar preparados para apoiar e defender seus funcionários marginalizados quando esses tipos de grupos surgirem”, eles disseram. “Grupos sem fins lucrativos ajudaram a fornecer recursos para os empregadores, como o guia do Crash Override sobre o que fazer se seu funcionário estiver sendo alvo de abusos online.”

Os representantes da Overwatch Contenders não responderam ao pedido de comentários do Dot Esports.