1 DE junho DE 2018 - 19:43

"Várias equipes do nosso cenário caíram, mas nós não vamos desistir," diretor da SG e-Sports diz sobre futuro da equipe de Dota 2

Em um cenário que começa a ser dominado por rivais, a SG e-Sports busca renovar parte de seu elenco de Dota 2.
Dot Esports Brasil: Writer and Translator | Redator e Tradutor
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Foto via StarLadder

A SG e-Sports busca renovar parte de seu elenco para recuperar a glória que teve no Dota 2. A organização anunciou as saídas do suporte Thiago "Thiolicor" Cordeiro e do técnico Emilano "c4t" Ito no dia 30 de maio em seu Twitter.

O anúncio veio pouco mais de um mês após da saída do outro suporte da equipe, Lucas "bardo" Barbosa. A equipe hoje tem contrato com apenas três jogadores, dois a menos que o necessário para disputar campeonatos. Ainda assim, a organização busca preencher as lacunas em breve.

A SG e-Sports, quando disputou o The Kiev Major 2017, fez história como a primeira equipe brasileira a participar de um Major de Dota 2, que é a categoria mais alta de torneios do circuito profissional do jogo. Como um bônus, eles derrotaram os fortes europeus da Team Secret e venceram um mapa contra os gigantes norte-americanos da Evil Geniuses.

A SG e-Sports jogou a temporada 2017-18 do Dota Pro Circuit com um elenco completamente diferente daquele de Kiev. No primeiro campeonato internacional da temporada, a StarLadder, a SG e-Sports derrotou os multicampeões chineses da ViCi Gaming por 2-0. Mesmo eliminados do campeonato nas partidas seguintes contra Team Liquid e Mineski, a vitória contra um time chinês de elite já era um feito enorme no Dota 2 brasileiro.

A equipe, então composta por Guilherme "Costabile" Costábile, Adriano "4dr" Machado, Rodrigo "Liposa" Santos, Thiago "Thiolicor" Cordeiro e Lucas ''bardo'' Barbosa, conquistou a vaga sul-americana de quatro dos oito torneios do DPC em 2017.

Já em 2018, a SG e-Sports se classificou para quatro dos 14 torneios do restante da temporada. A equipe perdeu diversas finais de qualificatórias sul-americanas para os peruanos da Infamous e para seus rivais brasileiros da paiN Gaming.

Agora em junho, com o fim da temporada da DPC, a SG e-Sports tem apenas as qualificatórias sul-americanas do The International 8, o campeonato mundial de Dota 2, para conseguir alcançar um novo feito na temporada e se tornar a primeira equipe brasileira no mundial. A Infamous e a paiN Gaming tentarão a atrapalhar no caminho.

Symon "KNG" Malts, diretor de mídias da SG e-Sports, conversou com o Dot Esports Brasil sobre a queda de desempenho de seu elenco, a perda de espaço para a paiN Gaming no Brasil, as saídas de jogadores da equipe e as preparações para as qualificatórias do The International 8.

O que vocês gostariam de ter feito diferente nos últimos meses como equipe?

KNG: Acredito que dentro do possível, nossa organização fez o que estava em mãos para que nossa equipe tivesse o melhor suporte e rendimento. Infelizmente não tivemos resultados expressivos no exterior. O time passou por uma longa fase de adaptação depois do desligamento do Bardo, afinal ele era nosso capitão. Acredito que não havia algo a ser feito de diferente. É como em outros esportes convencionais. Perdemos uma peça fundamental para a estrutura do time e sofremos com isso.

O que você acha que fez com que vocês perdessem espaço como o time de referência nacional no Dota 2 para a paiN Gaming nos últimos meses?

As duas equipes estavam batalhando para se destacar no cenário sul-americano, sempre dividindo vitórias e classificatórias como as duas equipes de ponta. Como disse, nossa equipe sofreu com a perda de um jogador extremamente importante e isso fez com que a equipe da paiN tivesse mais espaço para evolução.

O que vocês buscam atingir com a remoção do Thiolicor e do C4t e com a contratação dos novos jogadores? O que falta na SG que vocês acham que conseguirão com isso?

A organização deu o máximo de espaço para que nossa equipe voltasse do apagão que estava sofrendo, mas como em qualquer esporte, algumas formações não funcionam tão bem. Buscamos novas ferramentas para conquistar a vitória. Thiolicor e C4t são jogadores excepcionais, mas hoje a mudança de atualizações visa a versatilidade e aplicabilidade em situações diversas. O tempo é cruel e a SG visa grandes conquistas, então temos que tomar decisões para tentar voltar a ter um alto desempenho.

Quão longe vocês acreditam que conseguem ir nas qualificatórias do TI8?

Estamos confiantes em nossos jogadores. Sabemos que sim, existe uma limitação de aplicação/tempo, mas hoje isso é normal dentro desse formato de atualizações do Dota 2. Nossos jogadores estão treinando duro para chegar em grande fase. Posso usar o exemplo do Costabile, que hoje está Top Rank 2 na América. Hoje existem três nomes no cenário sul-americano para essa qualificatória: SG, Infamous e paiN. É uma missão árdua, mas vamos honrar nossa torcida e dar nosso melhor por essa vaga.

Essas mudanças são apenas para buscar o TI8 ou vocês pretendem estendê-las para a temporada 2018-19 da DPC?

Temos que dar um passo de cada vez. Primeiro vamos para essa qualificatória que é de longe a mais importante do ano e nosso foco atual. Mas nossa estrutura para a próxima temporada já esta sendo estabelecida.

Qual o principal aprendizado que vocês tiraram da temporada 17-18 da DPC?

Nossa equipe é relativamente nova, e isso faz com que tudo seja um aprendizado. Vimos como nossa equipe reage a diversas situações, enfrentamos grandes equipes, sofremos com adversidades de clima e fuso horário em campeonatos como o de Kiev. Mas isso nos torna mais fortes e mostra onde estamos errando. Nossa organização, desde que surgiu no cenário de esports, causou muito barulho. Aprendemos que nem tudo é como queremos e que coisas acontecem quando menos imaginamos. Se manter de pé é para quem tem objetivos. Várias equipes do nosso cenário caíram, mas nós não vamos desistir.

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