Designer do LoL explica atualização de Volibear, incluindo habilidade não utilizada que amenizava controle de grupo

O Rugido do Trovão passou por muitas mudanças e versões antes de ser o que é hoje.

Imagem via Riot Games

Quem joga de Volibear finalmente viu como o Rugido do Trovão vai ficar quando for lançado, no fim do mês. Nos últimos dias, a Riot revelou novidades sobre a atualização tão aguardada do urso.

Mas recriar um urso tão amado e fazer com que pareça diferente, ao mesmo tempo em que se mantém algo do antigo Volibear para os fãs, era obviamente uma tarefa difícil para qualquer equipe.

A atualização de Volibear começou com um conceito simples. Justin “Riot Earp” Albers, artista conceitual da Riot, queria que o campeão de League of Legends parecesse “velho, ancião” para que sua aparência combinasse com o status de lenda que ele tem em Freljord. A equipe queria modelar o urso de forma que mostrasse a cultura de Freljord e queria “que a fúria selvagem não só de ursos mas também de tempestades e trovões ficasse bem aparente no visual dele”.

É possível ver isso na nova arte do personagem. Ele fica acima das montanhas, mostrando sua força e poder. Mas a aparência do personagem não era a única coisa que a equipe precisava amarrar bem.

“Toda AVM começa com um processo rigoroso de seleção”, Ryan “Reav3” Mireles, produtor-chefe da equipe de campeões, conta ao Dot Esports. O processo envolve rever vários fatores sobre o campeão e montar uma equipe que inclui “designer de jogabilidade, autor da narrativa e artista conceitual”. Os três então trabalham juntos para criar um conceito para o campeão.

Com essa equipe criada, era hora de começar a trabalhar.

Na primeira conversa para decidir como o campeão funcionaria, a equipe seguiu as mesmas três grandes etapas que a Riot usa para monitorar o progresso da maior parte dos campeões: Fechamento de Rumos, Fechamento de Padrões e Fechamento de Habilidades.

Fechamento de Rumos é quando a equipe que trabalha no projeto discute ideias e garante que todas sigam o mesmo rumo. Fechamento de Padrões é quando a equipe molda os objetivos gerais do personagem com perguntas como “Como esse campeão vence? Como ele falha? Os inimigos conseguem interagir com esse campeão de forma saudável e estratégica?”, de acordo com Nathan “Lutzburg” Lutz, designer-sênior de League of Legends. O Fechamento de Habilidades é exatamente o que parece, decidir definitivamente quais são as habilidades.

Durante o Fechamento de Habilidades, a equipe da Riot inicialmente queria manter Volibear “fincado no espaço de Colosso”, segundo Lutz. No fim, porém, a equipe foi por outro caminho porque os “temas e identidade de jogo” de Volibear estavam “levando em direção a um estilo de combate mais rápido e imprevisível”.

Ao refazer as habilidades de Volibear, a Riot queria acabar com um problema que havia na versão original do campeão. Com o design original, Volibear estava sempre preso no mesmo padrão de jogo: perseguir o inimigo e o abater instantaneamente. “Esse padrão parecia sem graça e frustrante para os dois lados do conflito”, explicou Lutz. Isso levou a Riot a fazer de Volibear um híbrido, ainda com alto dano e com a possibilidade de evoluir para um duelista. Apesar de Volibear ter perdido algumas das vantagens de ser um colosso, a equipe adicionou algumas habilidades que o tornam um pouco mais tanque e mais balanceado.

O estilo de jogo de colosso, porém, não foi a única coisa a ser cortada. Originalmente, a Riot tinha ideias alternativas de como abordar as habilidades atualizadas de Volibear. No começo, a equipe experimentou “uma mecânica que transformava o controle de grupo mais pesado que ele recebesse em uma lentidão”, segundo Lutz. No fim, apesar de a equipe ter ficado feliz com a mecânica em si, ela acabava fazendo com que Volibear ficasse com poder demais ao juntar com suas outras ferramentas.

A equipe achou mais importante manter outras forças, como seu alto dano e controle de grupo. Então, no fim, eles decidiram se “distanciar da mecânica de permanentemente implacável”, disse Lutz.

A resposta da comunidade nos vários /dev também foi fundamental para a recriação do campeão. Mireles disse que todos os comentários “facilitavam um pouco” o processo, já que era possível ter a resposta dos jogadores com base em suas reações. Isso ajudou a equipe a finalizar a atualização de Volibear e prepará-lo para o lançamento, passando para o próximo grande projeto.

Pelo menos era o que eles achavam.

Mal sabia a equipe que, além do relançamento do campeão, a Riot também criaria um evento novo, o primeiro do tipo. O evento de ARAM apareceu na stream de alguns dias atrás, e mostrava um Volibear gigante por alguns segundos. Todos os jogadores que encontrarem o campeão vão receber um emote exclusivo de Volibear que não poderá ser obtido de nenhuma outra forma. E parece que todo o processo de como surgiu o evento é insano.

A equipe de marketing foi a primeira a aparecer com a ideia de fazer algo dentro do jogo, e rapidamente virou “uma colaboração maluca entre a equipe de marketing e a de desenvolvimento de Volibear”, segundo Lutz.

“Fizemos o nosso melhor para respeitar os jogadores de ARAM, que podem ligar ou não para um easter egg de Volibear (especialmente se seu modo de jogo principal for o ARAM)”, Lutz explica. “Foi por isso que fizemos com que fosse razoavelmente difícil de acontecer e durasse apenas alguns segundos em uma fase bem previsível. Minimizar os possíveis efeitos negativos que causássemos era nossa prioridade máxima.”

Agora, porém, o projeto está completo e a espera por um novo campeão ou atualização ainda será longa. É o que achamos. Mas Mireles não podia deixar de falar sobre o próximo novo campeão.

“Acho que o festival que vai ganhar vida no meio do ano é algo com que vale a pena se animar”, disse Mireles.

Artigo publicado originalmente em inglês por Adam Newell no Dot Esports no dia 12 de maio.