18 DE junho DE 2018 - 00:35

Fer: "A gente precisa dar uma relaxada, tirar da cabeça que a gente tem a obrigação de ganhar tudo"

Fer não escondeu a pressão que ele e a SK Gaming sentem toda vez que disputam um novo torneio internacional.
Dot Esports Brasil: Writer and Translator | Redator e Tradutor
preview
Foto via StarLadder

Fernando "fer" Alvarenga da SK Gaming, conhecido por fazer jogadas inusitadas e abrir espaço para seus companheiros de equipe atuarem melhor, tem tido um desempenho abaixo do que os torcedores querem ver na SK Gaming.

O jogador e seus colegas de equipe foram eliminados nas semifinais da ESL One Belo Horizonte de Counter-Strike: Global Offensive após uma derrota de 2-0 para a mousesports em frente à torcida no Mineirinho.

Fer, que parece sempre calmo durante as partidas, conversou com o Dot Esports em detalhes sobre as dificuldades que toda a SK Gaming vem tendo há meses. A equipe conseguiu poucas vezes sobreviver à fase de grupo dos campeonatos e não vence um torneio internacional de expressão há meses. Fer não esconde que se sente pressionado.

Quanto da dificuldade de vocês nos últimos meses é devido a queda de desempenho da SK Gaming e quanto vem da melhoria de outros times?

Fer: Com certeza o problema é de ambos. Os outros times estão jogando muito bem, o que não é um problema. Eu acho que é muito legal quando você tem equipes que estão jogando em alto nível. A gente teve épocas no CS em que as equipes não eram muito boas, nos campeonatos que iam acontecer você sabia quem ia ganhar. Isso não é legal. Eu acho que hoje o nível competitivo tá muito forte, e isso é muito bom para todo mundo. Eu acho que aumenta o nível de todo mundo.

Com certeza, nosso time está tendo muitos problemas. A gente tem bastante problema com comunicação em inglês, que a gente está tentando melhorar. O problema não está sendo grande, mas óbvio, como é em inglês, é algo muito novo para a gente, e às vezes quando você tem que readaptar o time todo e em inglês, é difícil. A gente precisa melhorar um pouco nisso.

A gente treina muito bem, mas chega na hora do jogo e a gente não consegue executar as coisas que a gente treinou e isso acaba sendo um pouco frustrante para a gente. Quando você perde jogando 100 por cento é uma coisa. Quando você perde sabendo que você não está fazendo o que você treina, é totalmente diferente. A gente precisa melhorar nesses pontos.

Há alguma coisa em especial que deixa mais difícil executar o que vocês treinam?

Eu não sei um motivo especial, mas eu acho que o motivo é que nos treinos a gente está fazendo bastante coisa. A gente tem muita tática. Chega na hora do jogo, às vezes a gente tem um plano de jogo e não começa indo muito bem e acaba... não ficando nervoso, mas como a gente tem aquela pressão de ganhar os campeonatos porque no ano passado a gente ganhou bastante, a gente se sente na obrigação de ganhar quando a gente não tem essa obrigação. Mas a gente leva essa pressão nas costas. Então como a gente não ganhou ainda um campeonato grande com essa equipe, a gente acaba com aquela pressão de ganhar um campeonato. Quando a gente chega e não ganha é muito frustrante.

Mas eu acho que o principal motivo é esse. A gente treina umas coisas e chega na hora do jogo... não sei se é o nervosismo. Não é problema do FalleN que [organiza as jogadas]. Acho que é problema do time inteiro de encontrar o erro ali na hora e tentar todo mundo focar no plano. Acho que esse é o maior motivo.

Como você avalia seu desempenho, em especial com cold e FalleN, desde essas mudanças recentes no elenco?

O meu, individualmente, eu acho que eu não tenho jogado muito bem os últimos campeonatos. Acho que nem o cold e nem o Fallen... Lógico, o cold é nossa estrela do time. Ele joga muito bem, tem uma função difícil para caramba e ele faz muito bem a função dele. Ele brilha em alguns jogos, mas a gente vai assistir aos jogos e às vezes a gente não tem aquele desempenho que a gente teve ano passado. Acho que não só nós três [Fer, Fallen e Cold] como o time inteiro. O time são os cinco.

Pela falta de estrutura que a gente está tendo, pelos maus resultados, o individual não aparece. Quando você não tem resultado, é difícil o individual aparecer. Lógico, tem um jogo que você joga bem ou outro cara joga bem, mas o time inteiro não consegue encaixar isso ainda. Acho que a gente precisa encaixar isso para poder voltar a ganhar.

A ESL Cologne deve ser o próximo campeonato grande de vocês. Como vocês pretendem se preparar para esse campeonato?

A gente vai ficar mais uma semana no Brasil. Daqui a gente vai para Madrid fazer um boot camp de sete ou oito dias para nos prepararmos para esse campeonato. A gente tem que pegar as coisas que a gente tem, os erros que a gente teve. Vamos pegar essa semana de boot camp que a gente vai ter e martelar em cima desses erros para a gente não fazer eles de novo. Nossa equipe também está com esse problema. A gente está martelando os problemas e eles estão acontecendo de novo. Nesse nível competitivo, que está muito alto, ganha quem erra menos. A gente tem errado muito. A gente tem que focar nos nossos erros porque a gente tem muitas táticas, muitas coisas, mas quando se erra muito fica difícil.

Há mais algo que você queira falar sobre seu sentimento enquanto jogava [na ESL One Belo Horizonte]?

Acho que a gente fez um bom campeonato. Na primeira partida contra a Space Soldiers que a gente perdeu, a gente se perdeu como um time. A galera estava meio estressada jogando. A gente tem que se divertir. Quando você está treinando, você está se divertindo, então se alguma coisa no treino não dá certo, você sabe que não deu certo "por causa disso e disso". Você chega na hora do jogo e alguma coisa não dá certa, a galera está se estressando. A gente precisa dar uma relaxada, tirar da cabeça que a gente tem a obrigação de ganhar tudo. A gente não tem a obrigação de ganhar tudo. Temos que dar nosso melhor, porque quando a gente dá nosso melhor nos divertindo, a gente ganha. Foi isso que aconteceu no ano passado inteiro, e a gente vai tentar voltar com essa mentalidade para os próximos campeonatos.

Próximo Artigo