3 DE julho DE 2018 - 20:16

Black Dragons e o "quase tudo certo" do vice-campeonato no PUBG Global Invitational sul-americano

Os brasileiros chegaram perto da sonhada vaga histórica no primeiro mundial de PUBG.
Dot Esports Brasil: Writer and Translator | Redator e Tradutor
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Foto via Black Dragons e-Sports

Os brasileiros da Black Dragons e-Sports não irão ao primeiro campeonato mundial da história de Playerunknown's Battlegrounds.

Eles foram vice-campeões da etapa latino-americana do PUBG Global Invitational 2018 que aconteceu no último fim de semana em São Paulo. O segundo lugar não os dá uma vaga para o mundial em Berlim.

Outras 13 equipes brasileiras e cinco sul-americanas buscaram o primeiro lugar. Nenhuma alcançou os hermanos da Savage Esports.

A Savage, com dois uruguaios e dois argentinos, teve o melhor desempenho geral nas 10 partidas em primeira pessoa e nas duas em terceira pessoa no torneio. Os hermanos foram campeões da etapa e receberam a vaga sul-americana para a final mundial do PUBG Global Invitational 2018.

Fazer parte da história do PUBG representando seu país também era o objetivo da Black Dragons. Se o torneio fosse apenas entre brasileiros, talvez a equipe tivesse sido campeã como aconteceu na Copa IGN em junho desse ano.

O gerente de equipe da Black Dragons e-Sports, Denis Vidigal, disse que o esquadrão de PUBG usou no PGI sul-americano as mesmas estratégias da Copa IGN. As quedas em torno do mesmo ponto de interesse fazem parte das estratégias constantes da equipe. "A gente costuma cair perto da prisão [de Erangel]," Denis disse ao Dot Esports Brasil. "As outras equipes respeitam o nosso local de queda porque sabem que se ficarem lá, vão ter problemas."

Área circulada: Prisão em Erangel | Imagem via Bluehole, Inc.

A Black Dragons teve um primeiro dia de disputas do PGI razoável. Os brasileiros ficaram na quinta colocação após quatro partidas naquela sexta-feira. As pontuações que a equipe conseguiu por ficar em segundo, terceiro e quinto lugar foram abafadas pelos poucos pontos da 13ª colocação na última partida do dia. As 30 eliminações totais não os levaram mais longe.

O dia seguinte do torneio teve as partidas em terceira pessoa, chamadas TPP. Denis disse que a Black Dragons não se focou em treinar esse estilo de jogo antes do torneio. “ A gente esperava conseguir ficar em quinto ou sexto lugar no TPP e depois conseguir passar nas partidas em primeira pessoa”, Denis disse. A Black Dragons ainda assim conseguiu o terceiro lugar na primeira partida com quatro eliminações tímidas. A Savage venceu essa mesma partida com 24 eliminações, o recorde para uma partida única no torneio.

A Black Dragons ficou em 11ª na última partida TPP, o que foi o início da queda da equipe no dia.

Os brasileiros foram os últimos colocados na partida inicial em primeira pessoa e repetiram a 11ª colocação na segunda partida no mesmo dia. “O segundo dia foi o pior de todos”, Denis disse. “Mas [nosso estilo de jogo] foi bem parecido com os outros dias. A gente manteve todas as estratégias, quedas e rotações.”

A Black Dragons não quis abandonar sua estratégia da prisão no último dia, Denis disse. “Só tentamos ter um foco maior e mais atenção, mas acabou que [o desempenho] foi bem parecido com os outros dias." Uma partida em segundo lugar, outra em quarto e mais uma em sexto se misturaram com uma 16ª colocação ao fim do terceiro e último dia. O desempenho final da Savage foi implacável e a equipe destruiu as chances do título da Black Dragons, que acabou o evento com 3460 pontos. O terceiro lugar teve 3320, mas a Savage se isolou com 4220 na liderança.

“Foram quatro dias bem cansativos,” Denis relembra ao incluir à participação da Black Dragons no PGI o dia de testes e treinos na arena. A rotina da equipe era tomar café da manhã cedo, almoçar o quanto antes e ir para a arena jogar, o que não é um dia de trabalho incomum para muitas pessoas.

Mas os jogadores da Black Dragons chegavam todo dia em casa depois da meia-noite, e alguns jogadores acabavam indo dormir apenas às cinco da manhã. “Isso pode ter sim alterado um pouco [nosso desempenho],” Denis disse. “Mas não é só a gente. Todos os times tiveram o mesmo problema, então não dá para colocar a culpa nisso. Realmente é um campeonato bem cansativo.”

Denis acredita que o ritmo intenso é necessário, no entanto. “Como no PUBG tem um pouco de sorte, quanto mais rodadas, mais justo,” ele disse.

Essa sorte poderia ter ajudado a Black Dragons nas partidas, Denis acredita. “Dos 12 jogos, a zona segura fechou 11 vezes [de forma] ruim para a gente,” o gerente disse. Se essa zona segura tivesse aparecido sobre a região da prisão, os jogadores poderiam ficar esperando inimigos nas construções para eliminar. “Só teve uma [zona] que fechou para a direita, só que mais para cima. A gente teve sempre que rotacionar bastante e deu quase tudo certo,” Denis disse.

Essas situações de pouca sorte são as que a Black Dragons quer aprender a jogar melhor. A equipe ainda precisa ter mais segurança em torneios, de acordo com Denis. “Por ser um campeonato, por ser importante, a gente às vezes fica com medo de tomar algumas decisões,” ele disse.

Rotações atrasadas prejudicaram a Black Dragons. O medo que os jogadores tinham de serem eliminados por oponentes no trajeto os fazia ficar parados na mesma região por tempo demais. “Acho que isso é importante. Saber tomar a decisão na hora de rotacionar, quando pode ou não avançar e recuar,” Denis disse.

A rotina cansativa, os medos e a falta de sorte mesmo assim levaram a Black Dragons e-Sports à segunda colocação geral na etapa sul-americana do PGI 2018. Com o título da Copa IGN e o novo vice-campeonato do PGI, a Black Dragons continua no topo do Playerunknown’s Battlegrounds profissional no Brasil.

E Denis ainda acha que falta experiência para seus jogadores serem campeões de mais torneios. “Acredito que se a gente melhorar um pouquinho e não cometer os mesmos erros que fizeram a gente ter aquelas partidas ruins, vamos ter o que precisamos para sermos campeões.”

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