Velha guarda x nova geração: lançamentos cheios de falhas acabaram com o design tradicional de campeões do LoL

O design de campeões de League of Legends mudou muito.

Captura de tela via Riot Games

Nos últimos 10 anos de League of Legends, a Riot Games adicionou uma variedade enorme de campeões ao jogo. São vários atiradores, assassinos, magos, guerreiros, lutadores e suportes.

Os campeões mais antigos, como Annie, Tryndamere e Ashe, não exigiam grande habilidade, mas o design dos campeões começou a ficar mais complexo com o tempo. Os lançamentos recentes de Senna e Aphelios mostram uma diferença na filosofia por trás do design da Riot, que tem investido mais em inovação que em balanceamento.

No passado, a Riot seguia um modelo tradicional, sem muitas habilidades passivas e ativas, e tinha efeitos simples, como fortalecimento de ataques básicos, aumento de velocidade e um avanço ou recuo. Um dos primeiros campeões da “nova geração” foi Yasuo. Lançado em 2013, ele foi uma das criações mais inovadoras do Summoner’s Rift em termos de design e tinha recursos únicos e passiva dupla, o que era raro na época.

Jogadores mais antigos de League of Legends já expressaram seu descontentamento com esse tipo de lançamento e com as atualizações feitas a campeões antigos para seguir a nova filosofia de design. Apesar de a Riot ter usado uma abordagem mais tradicional no passado, isso já não está mais em prática, e a desenvolvedora procura formas de inovar o jogo a cada lançamento. Alguns jogadores podem curtir as habilidades inovadoras, mas os lançamentos mais recentes parecem apagar demais os campeões mais antigos, que tinham evidentes pontos fortes e fracos.

Antes, a Riot destacava as fraquezas dos campeões nos vídeos de lançamento. Hoje, os vídeos não costumam mostrar os pontos negativos do campeão novo ou atualizado, porque realmente na maioria das vezes não há nenhum. Isso é um problema para a longevidade do jogo.

Os novos campeões são uma faca de dois gumes

Os lançamentos mais recentes da Riot são extremamente difíceis de balancear. Senna e Aphelios têm presença obrigatória e dominam a rota. Wukong, depois de uma atualização que fez com que ele parecesse um novo campeão, também era sempre escolhido ou banido, e ainda podia ser usado em quatro posições diferentes. A Riot enfraqueceu o Macaco Rei atualizado em menos de 24 horas simplesmente porque ele era forte demais.

Todo campeão novo ou atualizado parece ter o mesmo destino. Dois dos maiores exemplos são Senna e Aphelios. Apesar de os dois terem jogabilidade única, eles têm ofuscado todos os outros atiradores há algumas semanas, além de ter presença obrigatória nas ranqueadas e partidas profissionais.

Mesmo depois de vários enfraquecimentos seguidos a todas suas habilidades, tanto Aphelios quanto Senna ainda são escolhas disputadas na rota inferior e é insuportável jogar contra os dois. O design de Senna gira em torno de atacar oponentes e coletar almas de tropas próximas, o que aumenta seus atributos, enquanto Aphelios tem uma resposta para toda situação em que se encontrar. Ele tem roubo de vida, controle de grupo, dano em área, dano corpo a corpo e mais, e poucas fraquezas. Aphelios vem sendo enfraquecido desde seu lançamento e ainda é concorrido no competitivo e profissional.

A cada novo lançamento, os jogadores se mostram frustrados com o fato de não existirem limites para as habilidades. No começo do ano, Rekkles, da Fnatic, entrou na discussão, explicando como Kai’Sa e Xayah foram completamente excluídas do meta pelos novos campeões. Atiradores mais antigos, cujo foco é de fato nos ataques básicos, não têm chance contra os da nova geração. Eles ficam muito para trás, porque não têm ferramentas para lidar com os novatos. Receber um pouco de dano de longe já é suficiente para que precisem voltar à base. Os novos atiradores, porém, podem se curar ou usar o roubo de vida que já está presente em suas habilidades para se recuperar.

Na rota superior, acontece algo parecido com Ornn, Aatrox e Sett, que dominam o meta com suas habilidades desbalanceadas. Ornn concede muito ouro a seu time com os Itens Magistrais, e alguns deles chegam a ter eficácia de mais de 1.000 de ouro. Além disso, ele consegue causar muito dano aos carregadores em poucos segundos. Aatrox tem sido um problema por sua capacidade de cura. Com Conquistador e Semblante Espiritual, a quantidade de dano que ele consegue aguentar antes de morrer o torna impossível de parar. Sett se beneficia absurdamente do dano verdadeiro de seu W, o que o torna viável em várias rotas sem precisar de fato comprar itens de dano.

Esses campeões estavam e ainda estão no meta em outras rotas, o que é um problema para os jogos profissionais. Pyke é o exemplo mais recente, e foi enfraquecido na atualização 9.13 justamente por isso. Em certo ponto, a G2 Esports usou Pyke em todas as cinco posições, mostrando quão forte pode ser essa flexibilidade na hora da seleção de campeões.

As habilidades de cura estão fora de controle

Antes, a Riot tinha um designer de campeões, Ryan “Morello” Scott, que mantinha as habilidades, runas e itens de cura sob controle. Existe até um item batizado em sua homenagem, Morellonomicon, que serve justamente para cancelar efeitos de cura. Depois que ele saiu do departamento de League of Legends, foram introduzidas mais habilidades de cura, além de runas e itens. As habilidades dos campeões novos ou atualizados começaram a ficar cheias de opções de cura. Essas habilidades são nocivas aos campeões antigos que não têm tanto sustento naturalmente, fazendo com que fiquem para trás na fase de rotas por precisar voltar à base. Os campeões novos não precisam voltar com tanta frequência e saem na vantagem.

Quatro dos cinco campeões mais recentes têm algum tipo de cura ou regeneração: Sett, Aphelios, Senna e Yuumi. Só Qiyana que não tem tanto sustento assim, mas ela ainda está bem servida, já que tem avanço, diversas opções de controle de grupo, invisibilidade e dano pesado.

Os últimos campeões lançados têm características em comum. Todos eles têm alta prioridade nas ranqueadas de alto nível e nos jogos profissionais. Qiyana era concorrida para a rota do meio e a selva, mas foi deixada de lado quando diversos enfraquecimentos seguidos a deixaram equilibrada com os campeões antigos.

Apesar de, em teoria, a redução de cura ser acessível com o Chamado do Carrasco, que custa 800 de ouro, o item não é usado por magos e tanques, que precisam investir em Morellonomicon ou Colete Espinhoso para ter o efeito de redução de cura. Isso coloca os magos em uma situação onde precisam priorizar itens menos eficientes, já que Morellonomicon é menos eficiente que itens como Tormento de Liandry e Capuz da Morte de Rabadon. Os tanques também ficam para trás, já que Colete Espinhoso também é ineficiente nos estágios mais avançados do jogo.

Devolvendo o poder à velha guarda

Manter o foco nos aspectos criativos sem encher as habilidades de efeitos passivos e ativos deve ser uma prioridade da Riot no futuro. Os lançamentos mais recentes com essas características foram problemáticos e ofuscaram todos os campeões lançados anteriormente, especialmente da geração mais antiga.

A passiva de Sett, que faz com que ele acerte dois socos, é mais que suficiente em termos de balanceamento. A regeneração de vida a mais lembra os tempos de lançamento de Yasuo, quando passivas duplas eram consideradas irritantes e difíceis de balancear (tendência que continua até hoje).

Há 148 campeões no jogo, mas são sempre os mesmos que são priorizados, e geralmente os novos. Em vez de concentrar seus esforços em como superar os lançamentos anteriores, a Riot deveria devolver um pouco da força da velha guarda (os campeões mais antigos e mais acessíveis do LoL) para criar um meta mais balanceado e consistente.

Artigo publicado originalmente em inglês por Cristian Lupasco no Dot Esports no dia 12 de maio.