Executivo da Riot é demitido por publicação racista sobre George Floyd em rede social

Na publicação, Johnson tentava justificar o assassinato de Floyd com um suposto "estilo de vida criminoso".

Imagem via Riot Games

Ron Johnson, antigo gerente de produto da Riot Games, não faz mais parte da empresa, de acordo com a ESPN. Ele estava sob investigação interna depois de compartilhar no Facebook uma imagem que relativizava a morte de George Floyd.

Johnson foi afastado em 10 de junho, depois de uma publicação questionando os motivos da atenção que a mídia e a população davam à morte de Floyd. A publicação também fazia referência à ficha criminal de Floyd e dava a entender que, antes de sua morte, ele usava metanfetamina e era perigoso.

“O sentimento expressado na imagem em questão é repugnante e vai de encontro direto aos nossos valores. Acreditamos que, na questão do racismo estrutural, são necessárias mudanças urgentes na sociedade e estamos comprometidos a trabalhar para isso”, disse um porta-voz da Riot. “Como dissemos na semana passada, a Riot está tomando as medidas necessárias para ajudar no combate ao racismo e à injustiça nas comunidades onde trabalhamos e vivemos.”

A empresa vai doar 1 milhão de dólares (cerca de 5 milhões de reais) para apoiar organizações que combatem erros no sistema judiciário, projetos que buscam soluções a longo prazo para discriminação racial e negócios locais de pessoas pretas. A Riot também planeja criar mais oportunidades na indústria dos jogos, investindo 10 milhões de dólares em “fundadores que não sejam suficientemente representados” e “ajudar a criar uma rede de talentos pouco representados no mundo dos jogos e da tecnologia”, segundo o porta-voz.

A imagem que Johnson compartilhou continha supostos crimes que Floyd haveria cometido na vida, e o comentário do ex-funcionário da Riot dizia que sua morte foi justificada pelo “estilo de vida criminoso”.

Nicolo Laurent, CEO da Riot Games, também enviou um comunicado interno na noite de ontem, anunciando a demissão de Johnson aos outros funcionários, e a ESPN obteve uma cópia. Laurent não informou mais detalhes das medidas tomadas na investigação, mas disse que haveria uma nova reunião em breve.

“Não vou comentar as intenções de Ron ao publicar a mensagem, nem qualquer uma de suas opiniões políticas, compartilhadas em veículos midiáticos ou não”, disse Laurent aos funcionários. “Precisamos respeitar que cada um tem direito a suas próprias visões políticas.”

Laurent, porém, discorda com a publicação e disse que “foi insensível e, neste momento, ofusca o comprometimento que fizemos em lutar contra todas as formas de injustiça, racismo, preconceito e ódio”. Ele disse que prejudica a empresa e o desenvolvimento de um ambiente mais inclusivo para a comunidade de “funcionários, jogadores e parceiros”.

Floyd foi assassinado em Minneapolis em 25 de maio, quando o policial Derek Chauvin o asfixiou com o joelho por mais de oito minutos. A morte de Floyd foi o estopim para diversos protestos contra racismo estrutural e violência policial nos EUA, no Brasil e no mundo inteiro.

Muitas desenvolvedoras apoiaram os protestos e tomaram medidas para combater o racismo, de doações a organizações que lutam contra o racismo à organização de atividades internas.

Artigo publicado originalmente em inglês por Nádia Linhares no Dot Esports no dia 12 de junho.